Eu nunca me lembro que o campo de visão das crianças é bem diferente do meu...
Na sexta feira, enquanto desfilávamos, ao passar por uma palmeira baixinha, o Santiago comentou com o Tomás que ia ao seu lado: "Olha Tomás, acho que encontrámos a árvore onde nasce o ananás". Com o meu espírito de professora à flor da pele, aproximei-me para o desmentir e explicar que o ananás vem de uma planta bem diferente. E como eles são baixinhos, baixei-me para ficar ao seu nível e, quando olhei para trás... Era mesmo verdade, a palmeira parecia um ananás gigante! Por isso calei a minha sabedoria e apreciei a conversa... Resposta pronta do Tomás: " Mas não vejo nenhum... Devem estar lá para cima... Um dia vou pedir ao meu Pai que é muito alto, para vir cá procurar comigo. Mas agora tenho que estar com atenção, senão depois não sei o caminho para cá voltar"... E lá foram os dois, de mão dada a conversar. E eu? Eu, quando o dia acabou, vim para casa pensar... Será que um professor pode deixar uma criança com um conceito errado? Claro que não, mas por vezes há que saber ouvi-los, e se para respeitar as conclusões das crianças é preciso calar a nossa sabedoria, então calemo-nos!
É que por vezes parece-me que é mais importante saber calar aquilo que sabemos, não os emendar e deixá-los livremente observar, pensar, tirar conclusões e partilhar a reflexão sem medo de ser corrigidos, sobretudo em público. Mais importante que saber qual é a planta do ananás, é deixar que o Santiago, o Tomás e todas as crianças, consigam transmitir sem medo os seus raciocínios e as suas conclusões.
E agora apetece perguntar se os vou deixar assim mesmo, com o conceito errado? Claro que não. Pelo sim, pelo não, já preparei uma apresentação que permite associar os frutos às plantas que lhe dão origem. Vamos lá ver o que vai sair daqui…
A planta do "ananás" do Santiago, visto da sua altura. Observem bem e vejam lá se não parece um ananás gigante?

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