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sábado, 15 de setembro de 2012

"O primeiro milho é dos pardais"



"O primeiro milho é dos pardais", diz a sabedoria popular...
 Por isso, na nossa sala, embora feliz com estes dias em que por lá andámos, eu ainda me mantenho alerta e à espera da tempestade que por vezes surge, no início do ano escolar. Mais do que nunca, este ano, esperava que ela chegasse em força... E porquê? Ora, porque este ano, é um ano todo especial... A Ivone aposentou-se, (Felizmente recebemos a Gorete), a sala mudou completamente, já que as crianças foram quase todas para o primeiro ano e as que chegaram têm características diametralmente diferentes das do anos anteriores. A sala é composta por 18 rapazes e 7 raparigas situados, na sua maioria entre os três e os quatro anos. Por isso estava à espera de muito choro... Enganei-me redondamente...
Com a ajuda das crianças que ficaram na sala, acolhemos os mais novos, deixámo-los explorar livremente e, mesmo sem recreio que continua em obras, este início de ano começou bem. Querem ver como foi?
 

 
Entretanto os "casos do dia" começam já a acontecer e eu começo já a ter motivos para dar uma boa gargalhada. Querem saber porquê?
Vou-vos contar...
O Guilherme Palma, com os seus três anos carregados de sabedoria e um olhar doce que cativa qualquer um, estava a brincar no cantinho das construções quando chegou a hora de arrumar. Olhou para mim e pediu ajuda. Não consegui resistir, baixei-me e comecei a ajudar. Ele sorriu, tirou do bolso um bocadinho pequenino de papel amachucado e disse: Apanha lá isso, enquanto eu vou ali ao caixote do lixo deitar fora este papel. Levantou-se e foi, sem me dar tempo sequer a reclamar. E foi assim que uma Educadora de 57 anos, numa posição duvidosa, foi enganada por um sorriso cativante e um olhar doce de três anos...
Depois de, com muita paciência e empenho, ir apresentando algumas regras da sala, o Santigo, de cinco anos, decidiu interpretá-las ao seu modo e fazer tudo ao contrário. Com muita calma fui ao pé dele, e expliquei que na nossa sala as coisas não se fazem assim, que coisas daquelas só se podem admitir a bebés e que se ele insistisse em fazê-las daquele modo, então isso queria dizer que ainda era bebé. Resposta pronta: - Não, não, isso não pode ser. Eu nunca mais posso ser bebé porque eu já sei as letras do meu nome e nunca me vou esquecer delas. Queres ver? S,A,N,T,I,A,G,O.
E se qualquer dúvida existisse ainda na minha cabeça, ontem aprendi mais uma coisa. Quem sabe as letras do nome é crescido e nunca mais pode voltar a ser bebé.
Com eles estou sempre a aprender muitas coisas importantes, não acham?