Na nossa sala há um ursinho de peluche. Já é um ursinho muito velhote, pois já tem 51 anos, mas é castanho, fofinho e é um daqueles ursinhos que quando se agarra parece que nos quer abraçar. Alegrou a minha infância e a infância da minha filha e, como detesta estar sozinho, já algum tempo que vive na nossa sala.
É um urso muito mimado, pois tem um guarda roupa e, para não ficar sozinho na sala, todos os dias vai dormir a casa de uma das crianças. Quem o leva tem também a obrigação de cuidar dele no dia seguinte, tarefa que eles fazem com muita alegria, muito empenho, muito cuidado e que por nada deste mundo delegam noutra criança da sala.
Hoje porém, aconteceu uma coisa que me comoveu e ao mesmo tempo me encheu de orgulho. Hoje o ursinho estava ao cuidado da Margarida, que é uma menina muito crescida e muito responsável. Ela estava muito feliz, pois tinha esperado muito tempo por este dia que finalmente tinha chegado. Porém hoje, o Gustavo Cordeiro chegou à sala um bocadinho triste. Há uns dias que, por um motivo nada agradável, não pode estar com a mãe e está triste e um bocadinho fragilizado. Por isso chora com facilidade e está um bocadinho dependente dos adultos. Hoje, mais uma vez, ao entrar na sala se aninhou ao meu colo e eu deixei-o ficar, o que intrigou os amigos. Para evitar confusões, disse às outras crianças que hoje tínhamos que ser muito cuidadosos com o Gustavo porque ele estava a precisar muito de miminhos. Então a Margarida levantou-se pôs o ursinho ao colo do Gustavo e disse: - Toma, hoje ficas tu com ele. Acho que precisas mais do que eu! Quando já não estiveres triste logo fica para mim!...
Grande Margarida! É preciso ser-se muito crescida para conseguir abdicar de um momento que se desejou tanto e cedê-lo a um amigo ! Estou mesmo muito orgulhosa de ti!