sábado, 29 de novembro de 2008

Será a matemática assim tão difícil?


A semana decorreu muito bem e sem incidentes de maior. Eles são muito engraçados, calmos e já se organizam bastante bem sozinhos.
A massa de cores continua a ser uma das actividades que eles mais gostam e decidimos fazer bolinhos de natal porque o entusiasmo pela massa foi grande. Assim, temos mais um motivo para medir e pesar.
Já fizemos o presente para os pais, que correu bem. Fizemos um presépio com massa de modelar e portanto eles fizeram muito bem.
Na 6ª feira, aproveitámos o facto de ser o último dia do mês, para fazer contagens. Eles adoraram e passaram o dia a contar.
“Nós sabemos que as crianças são construtores activos do seu conhecimento matemático e que a sua actividade não é independente do ambiente educativo (Becker e Selter - 1996).
Por isso, na nossa sala, a matemática é muito importante.
Com o objectivo de reconhecer e interpretar problemas encontrados na vida diária, de traduzir esses problemas para um contexto matemático, de formular e comunicar os resultados, ontem, que foi o último dia de escola do mês de Novembro, contabilizámos as actividades do mês, enquanto os pequeninos de três anos se divertiam com massa de cores, que é uma das suas actividades preferidas.
Os meninos crescidos, de quatro e cinco anos, estiveram a observar, a contar, a registar e a interpretar os registos que, ao longo do mês, fomos fazendo no mapa do tempo e no das presenças. Foi, como sempre, um entusiasmo e a manhã acabou por passar bem depressa.
Começámos com a lengalenga dos dias do mês:
" Trinta dias tem Novembro,
Abril, Junho e Setembro
Vinte oito só há um,
E os mais são trinta e um."
Depois de repetir a lengalenga algumas vezes, e de a escrever no quadro, conseguimos finalmente descobrir que Novembro tem 30 dias. Com a ajuda do calendário, recontámos os dias para os confirmar(O Rodrigo conseguiu contar até 30), descobrimos que estivemos 20 dias na escola, e que ficámos em 10 dias em casa.
Depois fomos buscar o "gráfico do tempo", onde diariamente uma das crianças cola um quadradinho de cor diferente, equivalente ao tempo que observou no caminho para o Jardim de Infância, e constatámos que houve 12 dias de sol, 4 com nuvens e sol, 2 dias só com nuvens e 1 dia de chuva.
As conclusões não se fizeram esperar.
" A coluna do sol é a mais forte de todas porque tem mais quadradinhos" - Ibraíma
"Pois o sol é o maior. Está sempre a ganhar!"- Rodrigo
"Coitadinha da chuva, é mesmo muito fraquinha. É só uma..." - Leonardo
-Então e se nós juntarmos os dias que não foram de sol, acham que o sol ainda vai ficar á frente?- Perguntei
Acho que sim - diz o Rodrigo - porque as outras filas são muito pequenuchas.
Para termos bem a certeza, o Igor propôs que atribuíssemos um nº a cada quadradinho de sol. Foram numerados de 1 a 12. Os outros itens só foram numerados de 1 a 7. Como a Kyra e o Christ (4 anos), não conseguiram perceber o raciocínio dos mais velhos, acabámos por recortar todos os quadradinhos e colá-los apenas em duas colunas paralelas.
"Os do sol são mais"- Disse a kyra
"A fila do sol é a «mais maiorre»- Diz o Christ, que vem do Gana
No mapa das presenças, queríamos descobrir quem é que tinha faltado mais à escola e quem é que tinha faltado menos. Para isso percorremos, fila a fila a contar as bolinhas pretas referentes aos dias de falta. Descobrimos que o Igor, a Érica, o Pedro, a Lia, a Cátia e o André nunca faltaram à escola , e por isso tinham 0 faltas ou nenhuma, e que as meninas que faltaram mais foram a Denise e a Kyra...
Quando acabámos de contar as faltas, quisemos saber quantas faltas havia ao todo. Descobrimos que a conta era muito difícil de fazer porque os números eram tantos, que nenhum dos meninos os conseguia contar. Então o Leonardo lembrou-se "do jogo de fazer contas"(O Ábaco), e depois de se terem dividido em grupos de dois, recomeçaram a percorrer as filas de cada menino só que em vez de escreverem o nº num papel, empilhavam as peças equivalentes ao nº das faltas no ábaco. Fartaram-se de discutir, de argumentar, quem é que tinha mais peças, quem é que tinha menos, compararam alturas, contaram e recontaram as peças, enfim a discussão esteve acesa e, finalmente concluíram que a equipa que somou mais peças, foi a equipa Ibraíma/ Teresa que contabilizou 22 peças. E o mais espantoso é que com a ajuda do ábaco, e uma mãozinha minha, a equipa Igor/ Rodrigo, já conseguiu, em conjunto, chegar ao nº final de 61 faltas.
No final eles estavam tão felizes que levaram o resto do dia a brincar às contagens...
Mais uma vez pude constatar que a comunicação tem um papel fundamental na compreensão e que as crianças compreendem melhor se tiverem oportunidade de explorar tarefas, de partilhar experiências, de discutir, de confrontar as suas ideias e conclusões com as de outros, e de experimentar estratégias para a resolução de problemas.
A matemática está longe de ser "um bicho – de – sete - cabeças". Basta ver um grupo de crianças em interacção !!!”

2 comentários:

Educadora de Infância disse...

Vocês são uns matemáticos fantásticos, porque essas contas todas não são nada fáceis de fazer... nós também costumamos tratar os dados no fim do mês e sabemos o que custa: empenho e muita atenção para conseguir contar as filinhas de P's e de F's no quadro das presenças... mas no fim ficamos orgulhosos!

Uma dúvida, na lengalenga dos meses: Têm a certeza de que está certa? Não será Junho em vez de Março? Pelas nossas "contas" cá no norte é assim, será que no sul é diferente???

Beijinhos e até breve!

Luz disse...

Obrigado aos pela chamada de atenção.Tens razão é mesmo Junho. Só que como a mensagem foi publicada muito tarde, e o sono já era muito,não dei pela troca dos meses.
Ah, e cá no sul março também tem 31dias.
beijinhos
Luz